Câmara Municipal do Barreiro
Núcleo de Voluntariado - Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro
Instituição agraciada com a Medalha de
Mérito Municipal Prata a 28 de Junho de 2006

IMPLICAÇÕES DO CUIDAR NA DIADE FAMÍLIA / PESSOA CUIDADA

Na situação de família cuidadora, a esfera familiar é completamente alterada, podendo verificar-se mudanças ao nível da individualidade e da autonomia de todos os membros da família, podendo mesmo haver a necessidade de alterar ou desistir dos seus projectos de vida. Esta prestação de cuidados implica um aumento de responsabilidades,

Na situação de família cuidadora, a esfera familiar é completamente alterada, podendo verificar-se mudanças ao nível da individualidade e da autonomia de todos os membros da família, podendo mesmo haver a necessidade de alterar ou desistir dos seus projectos de vida. Esta prestação de cuidados implica um aumento de responsabilidades, que pode conduzir à modificação dos papéis de cada membro da família, podendo surgir conflitos entre pais e filhos ou entre irmão quando há a necessidade de cuidar um pai ou mãe numa situação de dependência, ocasionados pela dificuldade na partilha de responsabilidades (Paúl, 1997). Sofrer e sentir não são processos passivos, podendo ser sucessivos planos existenciais. É neste sentido que Oliveira, Queirós e Guerra (2007) referem que a relação “cuidador-cuidado” pode modificar-se ao longo do processo de doença. Cuidar de uma pessoa com dependência lesa tanto o cuidador como os restantes membros da família, sendo que este tem a necessidade de reorganizar a situação profissional e familiar, passando a ter menos tempo para si e para os outros, casualmente com perda do emprego, privado do seu descanso, das actividades sociais e de lazer e deparando-se com questões relacionais e de saúde (Silva, 2006). Vários estudos têm confirmado que a prestação de cuidados a familiares idosos portadores de uma doença crónica é factor de stress (O’Brien, 2000, cit. por Pereira, 2008). Cuidar de alguém é uma função pesada com custos físicos e afectivos para quem a desempenha (Paúl, 1997), pelo que cada vez mais surge a preocupação com o desgaste sofrido pelo cuidador, sendo este apontado como a segunda vítima da doença (Pereira, 2008). Os cuidadores estão mais dispostos a uma fragilização do sistema imunitário, a alterações na resposta do organismo à vacina da gripe, a um aumento do tempo necessário para a cicatrização de feridas e a um aumento da pressão sanguínea. Estas alterações são vivenciadas, com frequência, num contexto complexo de preocupação constante, de perda, de luto, raiva, conflito, culpa e ressentimento, que facilmente podem conduzir a situações de morbilidade aumentada destes cuidadores. Contudo, e apesar dos problemas de saúde e do reconhecimento de sofrer essas situações, os cuidadores não recorrerem, habitualmente, aos serviços de saúde. Quanto à adopção de estilos de vida saudáveis, verifica-se que não dormem as horas suficientes, têm uma alimentação desiquilibrada, fazem pouca actividade física, consomem tabaco e álcool em excesso, automedicam-se, não cumprem tratamentos médicos e/ou esquema de vacinação (Webber, Fox e Burnette, 1994).
** Professora Adjunta da área científica de Enfermagem na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria - Bibliografia identificada em www.lahdbarreiro.pt
Domingo, 22 de Novembro de 2009
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