
Os Cuidados Paliativos são definidos omo “cuidados totais” prestados aos doentes e ás suas famílias proporcionados por uma equipa multidisciplinar. Destinam-se a aliviar o sofrimento humano: o sofrimento físico, o sofrimento social, o sofrimento psíquico e o espiritual.
Ana Massena, Dra.
Especialista em Oncologia
Mestre em Cuidados Paliativos
|
“ Assim possas estar envolto em ternura, meu irmão, como se estivesses abrigado num manto” (Corão)
O que são Cuidados Paliativos?
Os Cuidados Paliativos são definidos como “cuidados totais” prestados aos doentes e ás suas famílias proporcionados por uma equipa multidisciplinar. Destinam-se a aliviar o sofrimento humano: o sofrimento físico, o sofrimento social, o sofrimento psíquico e o espiritual.
Para atingir este objectivo uma Equipa de Cuidados Paliativos é constituída por diferentes profissionais: médicos, enfermeiros, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, assistente social e guia espiritual.
Os Cuidados Paliativos têm uma filosofia própria, tendo igualmente uma base científica sólida: a compaixão e a Ciência são as forças orientadoras. Não prolongam o sofrimento nem apressam a morte. Respeitam a autonomia do doente, respeitando sempre a sua vontade soberana. Incentivam a família a colaborar nos cuidados, de modo a manter os laços familiares tão importantes nesta fase da vida. Dirigem-se a todos os doentes com doença crónica e incurável, para a qual já não há resposta a tratamentos curativos ou que prolonguem a vida. Aceitam a morte, amparando a família e o doente no caminho que leva à aceitação do diagnóstico e à compreensão da morte inevitável. Paralelamente, celebram a vida, advogam a comemoração dos momentos felizes que podem e devem ser proporcionados ao doente E COM o doente.
Os doentes em fase paliativa são doentes que já não têm perspectiva de cura.: não respondem a intervenções, técnicas ou medicamentos que tenham como objectivo curar a doença. Nesta fase o importante é controlar os sintomas desencadeados pela doença, proporcionando qualidade de vida. Opta-se sempre por causar o minímo desconforto ao doente, o que quer dizer que a maior parte da terapêutica é administrada por via oral, contrariamente ao que se costuma observar nos doentes internados noutros serviços do hospital, em que é hábito os medicamentos serem administrado por via endovenosa (“pela veia”)
Todos os doentes podem ser internados numa Unidade de internamento de Cuidados Paliativos? Só são internados doentes com sintomas descontrolados apesar da medicação que fazem habitualmente (dor, vómitos, diarreia…), doentes em fase terminal da sua doença e doentes cujos cuidadores estão exaustos. Estes doentes são ser internados durante um período limitado, para recuperação da família.
Projectos desenvolvidos em colaboração com a Liga dos Amigos do Hospital do Barreiro
Na nossa Unidade comemora-se a Vida, de tal forma que todos os projectos que temos desenvolvidos tem esta palavra no seu nome…Com o objectivo de proporcionar aos nossos doentes um ambiente familiar, acolhedor e que os acarinhe e valorize enquanto seres individuais únicos e não apenas como “doentes” foram desenvolvidos diversos projectos:
Com a colaboração de um atelier de pintura, um dos colaboradores do atelier deslocar-se-á á Unidade para dar aulas de pintura aos nossos doentes. Os trabalhos serão expostos na Unidade.
Para visualizar filmes que constituam “memórias de outros tempos”, que sejam filmes de família ou porque simplesmente os distrai e dá prazer, foi oferecido pela Liga um DVD que está instalado no refeitório da Unidade.
Temos a ambição de proporcionar “Musicoterapia”. Foi solicitado à Liga apoio para a aquisição de um sistema de som para cada quarto, de modo a adaptar o estilo musical a cada indivíduo, a cada doente, a cada caso clínico.
Um”Chef” de cozinha disponibilizou-se para, quinzenalmente, proporcionar aos nossos doentes o “ambiente da nossa casa”, do “jantar acabado de fazer”, do cheiro do “bolo para o lanche”.
É preciso valorizar todos os instantes da Vida. Todas as circunstâncias são celebradas na Unidade, sobretudo as especiais: são momentos que valorizam a Vida dos nossos doentes. Os aniversários são comemorados com uma pequena festa, com bolo de aniversário, e a família e os amigos são convidados a participar.
Todos estes e outros acontecimentos felizes são fotografados e registados num livro próprio, onde doentes, familiares e amigos podem escrever livremente. O livro serve também para acolher qualquer reflexão que o doente queira partilhar.
Os “desejos secretos” ou ainda não realizados, têm uma oportunidade na Unidade. Esta reunir-se-á de todas as condições para proporcionar este momento de felicidade.
Porque a vaidade também é parte da vida: uma cabeleireira deslocar-se-á á Unidade para pentear as nossas doentes.
Ana Massena, Dra.
Especialista em Oncologia Médica
Mestre em Cuidados Paliativos
|