Câmara Municipal do Barreiro
Núcleo de Voluntariado - Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro
Instituição agraciada com a Medalha de
Mérito Municipal Prata a 28 de Junho de 2006

Sexualidade e Ostomia

A palavra sexualidade, no dicionário Houaiss (2005), é definida como a qualidade do que é sexual; conjunto de caracteres especiais, externos ou internos, determinados pelo sexo do indivíduo, sexo (“sensualidade”).

Daniela Fernandes, Enf.ª
Mestranda
Voluntária da LAHDB

A palavra sexualidade, no dicionário Houaiss (2005), é definida como a qualidade do que é sexual; conjunto de caracteres especiais, externos ou internos, determinados pelo sexo do indivíduo, sexo (“sensualidade”). Por sua vez a Organização Mundial de Saúde (1975) chegou a uma definição universalmente aceite da totalidade da sexualidade humana, definindo saúde sexual como “a integração dos elementos somáticos, emocionais, intelectuais e sociais do ser sexual, de maneira que sejam positivamente enriquecedores e que potenciam a personalidade, a comunicação e o amor”. Ora, a criação de um estoma, embora seja considerada um procedimento cirúrgico simples e que, em muitos casos, salva a vida da pessoa, as complicações são frequentes, mesmo em casos com um pós-operatório sem ocorrências, o seu impacto emocional pode ser bastante negativo. Assim, a ansiedade e a vergonha relacionadas com o estoma podem levar a alterações no estilo de vida da pessoa, incluindo falta de motivação para as actividades profissionais, assim como motivar alterações comportamentais em relação à família, e aos amigos e desencadear problemas a nível da sexualidade.
A sexualidade ao afirmar-se como parte integrante e fundamental do processo de viver do homem, é influenciada por diversos factores e pode contribuir significativamente para o bem-estar das pessoas. Por conseguinte, a sua vivência é extremamente importante, e poderá ter reflexos positivos, negativos, ou até neutros, nesse período da vida.
        
         A
mudança da imagem corporal influência a vida da pessoa em diversos aspectos, inclusive na esfera da sexualidade. Ao enfrentar a nova situação, o ser ostomizado requer preparação física e psicológica, para que a rotina diária seja restabelecida. Sendo a sexualidade parte integrante da vida, como já foi referido, o seu significado e a importância a ela atribuída pelas pessoas ostomizadas, assim como as suas representações, são elementos essenciais na determinação das mediações a serem estabelecidas para a continuidade da sua trajectória de vida, com definição de novos rumos, motivados pela condição de ser portador de estoma.

        Por isso, embora na assistência à pessoa ostomizada, a sexualidade seja um dos aspectos pouco explorados pelos profissionais de saúde, pois existe ainda muita dificuldade para a abordagem ou questionamentos sobre essa dimensão da vida, tanto por parte dos profissionais, como por parte das pessoas ostomizadas, é importante que existam intervenções sistematizadas, no que se refere à sexualidade do ostomizado. A imagem corporal alterada pela presença do estoma reforça estratégias de ocultação do corpo, no entanto soluções simples e práticas para melhorar a vivência da sexualidade foram apontadas e elaboradas pelos próprios ostomizados, a partir das dificuldades enfrentadas e de necessidades derivadas da presença do estoma. Cuidados adoptados nas suas práticas sexuais propiciam maior segurança e conforto nos momentos de intimidade física, tornando a prática sexual mais próxima daquilo que vivenciavam antes da presença do estoma.

          A assistência à pessoa ostomizada precisa de ser elaborada de forma integral, procurando englobar os múltiplos aspectos da vida, não se limitando apenas à doença e ao cuidado técnico, que são importantes, mas não únicos. O trabalho interdisciplinar da equipa de saúde deve também ser destacado, tendo como objectivo não apenas a cura da doença ou a resolução de uma inadequação qualquer, mas visualizando a pessoa ostomizada na sua totalidade, buscando um real encontro entre sujeitos (profissional - pessoa assistida).

         A sexualidade da pessoa ostomizada, assim como das pessoas em geral, é pluri-determinada por factores interligados que irão influenciar sua vivência e, por vezes, definir o seu caminho. A capacidade de compreensão da realidade, de vencer bloqueios, crenças, símbolos, percepções e valores, a qualidade do relacionamento conjugal e o acesso a informações, produtos e serviços de saúde qualificados serão essenciais para determiná-lo.

         O facto da sexualidade, no doente ostomizado, ser um tema tabu em enfermagem e, neste momento, a estomaterapia ser uma especialidade exclusiva do enfermeiro, motivou-me para o contacto com as pessoas ostomatizadas e suas famílias e as suas dúvidas, dificuldades e necessidades levaram-me colaborar efectivamente no seu processo de reabilitação pós-estoma.



Daniela Fernandes, Enfª

Mestranda
Voluntária da LAHDB
Domingo, 10 de Outubro de 2010
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