Sou uma jovem de 18 anos, portadora de uma deficiência visual congénita. Venho, com este texto, falar um pouco sobre como eu me sinto nesta nossa sociedade. ...
Sofia Santos
Estudante do 12ºano
Portadora de deficiência visual congénita
Sou uma jovem de 18 anos, portadora de uma deficiência visual congénita. Venho, com este texto, falar um pouco sobre como eu me sinto nesta nossa sociedade. Nesta nossa vida, onde me deparo com todo o tipo de situações, acabo por concluir que ainda existe preconceito e alguma descriminação, muitas vezes, até por parte de pessoas relativamente próximas. Na minha opinião, sinto-me uma pessoa igual a tantas outras, com defeitos e qualidades tal e qual como toda a gente, gosto de passear, sair com os amigos… Sou uma pessoa absolutamente normal, apenas não vejo! Sei que tenho algumas limitações, limitações, essas que podem ser ultrapassadas com alguma ajuda e com muita força de vontade da minha parte, mas, mesmo assim, não me sinto diferente de ninguém. Tudo isto faz com que eu tenha dificuldade em compreender por que muita gente não se aproxima, não me convida para sair, como se eu fosse um simples objecto sem qualquer valor e que por isso é posto de parte. Tudo isto mudou um pouco desde que eu tenho a Togo, a minha cadela-guia. Agora, ela é motivo de curiosidade de muita gente, o que faz com que as pessoas se aproximem e me encarem de outra maneira.
No entanto, com muitos dos meus colegas, isso não acontece.
Domingo, 2 de Novembro de 2008