Câmara Municipal do Barreiro
Núcleo de Voluntariado - Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro
Instituição agraciada com a Medalha de
Mérito Municipal Prata a 28 de Junho de 2006

Dia Internacional do Voluntariado

Governadora Civil visita heróis e heroínas de bata amarela do hospital do Barreiro
Um exemplo “puro do exercício da cidadania activa”

Andreia Catarina Lopes Rostos On-line

Governadora Civil visita heróis e heroínas de bata amarela do hospital do Barreiro
Um exemplo “puro do exercício da cidadania activa”
 

Governadora Civil visita heróis e heroínas de bata amarela do hospital do Barreiro <br>
Um exemplo “puro do exercício da cidadania activa” <br>
Ontem a Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, visitou a Liga dos Amigos do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, o que se insere num conjunto de visitas às seis Ligas dos hospitais do distrito de Setúbal, no âmbito do Dia Internacional do Voluntariado, que se assinala hoje. Uma iniciativa que diz ser uma homenagem e uma forma de chamar a atenção para a importância do voluntariado e que é simultaneamente “um grito de alerta para as gerações contemporâneas recordarem que existem outras formas de vida que não podem perder adeptos”.

De visita aos 64 heróis e heroínas de bata amarela do hospital do Barreiro, a governadora civil considerou ser esse um exemplo de cidadania activa que “simboliza, de maneira muito forte, a questão do voluntariado”.

O presidente da Liga, Vítor Munhão, referindo que a instituição assenta na filosofia de “perante um pedido de ajuda, dar sempre uma resposta”, deixa o apelo: “A Liga existe e precisa de voluntários, apareçam e percebam o que se faz aqui, porque em quatro horas, que é o mínimo que pedimos, conseguimos transportar um sorriso para uma criança ou dar algum calor a quem está à espera nas consultas externas”.

Quanto à escolha do voluntariado nos hospitais para assinalar o Dia Internacional do Voluntariado, a Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, sem querer diferenciar as diferentes formas de voluntariado, “porque todas elas têm grande dignidade”, sublinha, diz ter escolhido este modo porque considera que “abarca muito daquilo que está na génese do voluntariado e que é a solidariedade, a disponibilidade de tempo, a cooperação, a entreajuda e a preparação do próprio voluntário”. Um exemplo “puro do exercício da cidadania activa” que entende que “simboliza de maneira muito forte a questão do voluntariado”.

“Um grito de alerta para as gerações contemporâneas recordarem que existem outras formas de vida e formas de vida que não podem perder adeptos”

Do conjunto de vistas às batas amarelas dos hospitais do distrito que se prolongam até ao dia de hoje, Eurídice Pereira disse ser uma forma de prestar homenagem e de chamar a atenção para a importância do voluntariado nos tempos que correm, em que “o dia-a-dia é sempre muito ocupado”, mas em que sublinha a importância de se “arranjar sempre um bocadinho de tempo para ajudar os outros”. E lançou o apelo, nomeadamente às gerações mais novas: “este modo de homenagear é simultaneamente um grito de alerta para as gerações contemporâneas recordarem que existem outras formas de vida e formas de vida que não podem perder adeptos”, entendendo que a presença das novas tecnologias na vida dos mais jovens “não pode roubar espaço ao convívio, à partilha, à entreajuda, não podem roubar espaço à cidadania activa, ao estar presente e estar presente é estar fisicamente presente ao lado do outro”, considerou.

Liga é composta por 64 voluntários que “encarnam o papel dos heróis e heroínas vestidos com uma capa amarela”

Com 64 voluntários, com idades compreendidas entre os 17 e 77 anos, a Liga dos Amigos do Hospital Nossa Senhora do Rosário procura “encontrar soluções para as situações mais complicadas”, sublinha o presidente da Liga, Vitor Munhão. Quanto aos voluntários refere que “encarnam o papel dos heróis e heroínas vestidos com uma capa amarela”, mas chama a atenção para a importância de “sentirem que o seu trabalho é motivo de orgulho para todo o corpo social da instituição” e é nesse sentido que fala da existência de “um clima familiar” dentro da Liga e que alerta para a importância de se “promover o bem-estar do voluntário”, através do apoio e motivação proporcionado pela instituição. “Os voluntários da Liga pertencem ao Núcleo de Voluntariado, têm um seguro de acidentes de trabalho e de responsabilidade civil, são motivados, como responsável tenho de reconhecer o trabalho das batas amarelas e essas pessoas têm de sentir que são apoiadas, têm de ter um acompanhamento por quem está a gerir a instituição”, conta. Com um estágio de seis meses, existe também a possibilidade da realização de um plano de formação contínua em diferentes áreas, que abrangem desde a psicologia, a sociologia ou a ética e a legislação sobre o voluntariado.

Procura dos mais jovens pelo voluntariado

Quanto aos mais jovens, diz que tem sentido uma maior procura de estudantes das escolas secundárias do Barreiro: “alguns procuram transpor os projectos de escola para o voluntariado, para chegarem próximo das crianças, dos idosos e dos próprios adolescentes que têm dificuldades”. Contando actualmente a Liga com quatro estudantes de enfermagens, refere que a procura do voluntariado junto das universidades é muito significativa. Sobre o facto de os voluntários serem na sua maioria mulheres, Vitor Munhão entende que se pode explicar por “o sexo feminino ser mais sensível a esta causa”, mas adianta que começa a surgir uma pequena viragem “ainda agora recebemos mais dois voluntários do sexo masculino, está a diminuir a diferença mas ainda está muito longe de ser equitativo”, reconhece.

Em 2007 a Liga distribuiu 60 mil unidades de pequenos-almoços pelo hospital do Barreiro

Quanto às áreas de intervenção dos voluntários, sublinha que são diversas e vão desde às urgências, com o intuito de “tornar o clima mais quente” nesse local, como ao acompanhamento dos utentes nos diferentes pisos do hospital, a unidades externas; assim como a intervenção ao nível dos cafés com leite, ao que refere que no ano passado fizeram a distribuição de 60 mil unidades de pequenos-almoços pelo hospital do Barreiro. De outras formas de apoio na Liga fala dos gabinetes da Liga, onde consta o Núcleo Ostomizados, que diz disponibilizar “ajuda quer em termos materiais, quer psicológicos”; dos suplementos alimentares que são entregues na maioria a doentes do foro oncológico. Ao nível do apoio a doentes mastectomizados, refere que este ano foram entregues cerca de 100 próteses mamárias e adianta que já foram enviadas ajudas para Angola ou Moçambique, a utentes que estavam no hospital e que quando receberam alta, regressaram aos seus países. Falou ainda de um projecto de fornecimento de leite com o Centro de Saúde do Vale da Amoreira.

“Não podemos estar à espera de subsídios para poder intervir, temos de procurar soluções”

Para a Liga, Vitor Munhão diz defender a “questão sócio-empresarial”: “Não podemos estar à espera de subsídios para poder intervir, temos de procurar soluções” e por isso fala na importância da criação de sinergias e de parceiros, que vão desde Universidades a Clínicas a nível nacional, ou de concessionários automóveis. Fruto das parcerias em diferentes áreas refere que durante o ano de 2008, a Liga entregou à unidade hospitalar 367 cadeiras, assim como equipamentos audiovisuais de informação para as urgências e renovou parte do mobiliário da obstetrícia, o que incluiu um Eco Screen.

Para 2009 – reforçar a questão social e a criação de novas sinergias para o ostomizado

Para 2009 a instituição tem o objectivo que diz ser “muito definido” e que passa por reforçar a questão social, procurando uma maior proximidade com a comunidade, o que pode passar por se tornar membro do Conselho Local de Acção Social do Barreiro (CLASB), “nunca descurando a rede interna do hospital, ao nível do utente” frisa. Outro objectivo diz ser a criação de novas sinergias para o ostomizado.

4.º Aniversário do Núcleo de Utentes Ostomizados assinala-se no dia 6 de Dezembro

Aamanhã, dia 6 de Dezembro, adianta que vai ser assinalado o 4.º Aniversário do Núcleo de Utentes Ostomizados, numa iniciativa no restaurante Palácio Alfredo da Silva em que o objectivo será transmitir informação sobre a problemática. O professor João Vieira Amândio, da faculdade de Ciências do Porto, o enfermeiro Luís Ramos, da Escola Superior de Saúde, são alguns dos convidados, a par de elementos da Liga de Ostomizados de Portugal que “vão tratar a Ostomia por tu”, comenta, assim como de elementos do hospital do Barreiro. “O doente ostomizado é uma pessoa normalíssima que na sua grande maioria faz uma vida normal mas têm de ser entendidas e percebidas as suas necessidades”, sublinha, ao que acrescenta: “abraçamos esta causa por várias razões, também porque estamos a falar de um comunidade que segundo os registos abrange cerca de 22 mil pessoas do norte a sul do país”.

Protocolo entre a Liga e os Bombeiros Voluntários do Barreiro

Para o dia 6 de Dezembro diz ainda estar a ser preparado a assinatura de um protocolo entre a Liga dos Amigos do Hospital Nossa Senhora do Rosário e os Bombeiros Voluntários do Barreiro, que integra um curso de Formação de Ostomia para os bombeiros e a entrega dos primeiros quatro kits de ostamizados que vão equipar as quatro ambulâncias dos bombeiros. Um projecto-piloto no país que permite que: “a partir do dia 6 o doente ostomizado fica a saber que existe uma equipa de bombeiros na sua área que está preparado para cuidar dele”. Na iniciativa diz ainda que vai estar presente também o actor Júlio César “que abraça esta causa”.

“A Liga existe e precisa de voluntários, apareçam e percebam o que se faz aqui”

Referindo que a Liga assenta na filosofia de “perante um pedido de ajuda, dar sempre uma resposta”, Vitor Munhão deixa o apelo: “A Liga existe e precisa de voluntários, apareçam e percebam o que se faz aqui, porque em quatro horas, que é o mínimo que pedimos, conseguimos transportar um sorriso para uma criança ou dar algum calor a quem está à espera nas consultas externas”. Gestos com muito significado que num momento permitem agilizar as dores e esquecer as maleitas do corpo e pegando na expressão “se às vezes um silêncio diz tudo”, Vitor Munhão acrescenta: “um sorriso diz muito mais”.

Andreia Catarina Lopes - Rostos On-line

5.12.2008 - 14:20

Sábado, 6 de Dezembro de 2008
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