
Foi assinado, no passado dia 6 de Dezembro, um protocolo entre os Bombeiros Voluntários de Salvação Pública do Barreiro e a Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro (LAHDB) que teve por base a atribuição do primeiro kit de atendimento ao doente ostomizado a ser utilizado pelos bombeiros, a nível nacional.
Ana Monteiro - Jornal do Barreiro
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Foi assinado, no passado dia 6 de Dezembro, um protocolo entre os Bombeiros Voluntários de Salvação Pública do Barreiro e a Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro (LAHDB) que teve por base a atribuição do primeiro kit de atendimento ao doente ostomizado a ser utilizado pelos bombeiros, a nível nacional. A acção inseriu-se no evento de comemoração do 4º aniversário do Núcleo de Ostomizados desta associação, através do qual se pretendeu também informar e familiarizar o doente com a sua ostomia.
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A LAHDB comemorou, no dia 6 de Dezembro, o 4º aniversário do seu Núcleo de Utentes Ostomizados, no restaurante ‘Palácio Alfredo da Silva’, entre as 9 e as 15 horas. A data ficou marcada por um dia dedicado ao ostomizado, que pôde ficar informado sobre alguns conselhos práticos sobre alimentação, higiene, sexualidade, entre outras temáticas, bem como pela entrega do primeiro kit de atendimento ao ostomizado pela LAHDB aos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública do Barreiro.Segundo o presidente da Liga, Vítor Munhão, este material vem colmatar uma lacuna identificada nas instituições de bombeiros, um pouco por todo o país. “O bombeiro tem a necessidade de ter conhecimento sobre como actuar com um doente ostomizado e, por isso, são hoje entregues os primeiros quatro kits aos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública do Barreiro, que vão equipar quatro ambulâncias, sendo este um projecto que já está em nome da Liga e um entre outros passos que a Liga quer dar em 2009”, explicou Vítor Munhão.
A atribuição deste material visa “transmitir segurança” ao ostomizado, quando está na rua, situação que é reforçada com a formação já fornecida em complemento a quatro elementos da corporação. Esta preparação simboliza, na opinião do Comandante Coelho, um passo para “os bombeiros saberem actuar junto do doente ostomizado”, bem como a formação em mais uma área com o objectivo de “servir o Barreiro e os seus moradores”.
“Esta é uma carência que existe a nível nacional, pois penso que não há qualquer formação de intervenção neste tipo de problemas. Foi um desafio que nos lançaram e aceitámos porque é uma mais-valia que estamos a criar e esperemos que seja um início e um exemplo para o resto do país”, adiantou o responsável da corporação. Outras entidades estão também a ser convidadas a participar neste projecto em termos de formação, segundo Vítor Munhão.
Mais um ano de trabalho
Para o presidente da LAHDB, comemorar o 4º aniversário do Núcleo de Ostomizados significa terminar mais um ano de trabalho em prol do doente ostomizado e iniciar um seguinte. Como tal, a “procura de conhecimento, de trabalho e de respostas em prol do utente” é uma tarefa constante nesta valência da LAHDB, que, com 18 anos de vida e o apoio do Núcleo de Voluntariado existente há 22 anos, também presta ajuda nas áreas da mastectomia e radioterapia, suplementos alimentares, ajudas técnicas e apoio social. “Como uma instituição com esta valência, temos que perceber as necessidades e procurar soluções para esta comunidade. Minimizar a questão da ostomia, seja através de convívios, grupos de ajuda, apoio psicológico, sociológico e das várias valências é a nossa função”, afirma Vítor Munhão, convicto da “resposta efectiva” da Liga.Com uma procura cada vez mais acentuada nesta valência, o presidente da LAHDB confessa que, chegados ao quarto ano de vida, foi necessário mudar. “Entendemos que havia de se procurar outras entidades que defendessem a mesma problemática, razão pela qual a Liga de Ostomizados Portugueses (LOP) também abraçou a nossa ideia; viu a resposta que damos e estamos juntos, com ideias para 2009, muito fortes e objectivas, na causa pelo ostomizado”, explicou agradecendo a presença do padrinho da LOP e amigo da LAHDB, o actor Júlio César, no aniversário.
A importância do apoio psicológico
A ostomia existe em vários tipos – como colostomia, ileostomia, urostomia, traqueostomia, e gastrostomia – e constitui um procedimento cirúrgico que consiste na desconexão de algum trecho do tubo digestivo, do aparelho respiratório, urinário, ou outro, e a abertura de um orifício externo, por onde o tubo será ligado, denominado estoma. Para quem não sabe, esta pode ser, na verdade, a “salvação” para quem sofre de doença como o cancro do intestino grosso e não tem mais hipótese de lutar, conforme admite o presidente da LOP, José Vieira Amândio.Na opinião deste cirurgião, proceder a uma ostomia exige acompanhamento e apoio psicológico, devendo, de preferência, ser realizada com conhecimento prévio do doente. “Quando temos possibilidade de estabilizar a pessoa psicologicamente, esta aceita muito melhor o acordar da anestesia e ver que tem a ostomia. Infelizmente, no nosso país 80 por cento das ostomias são feitas em situação de cancro e o ideal era que não fossem feitas de urgência”, explica. Fundamental, neste contexto, é a realização regular de rastreios, sendo que em Portugal procura-se efectuar o rastreio ao cancro do intestino grosso – doença mais frequente nas ostomias –, a partir dos 50 anos.
Para o doente que não aceita a condição de ostomizado, importante é a formação da enfermagem, a qualidade do material e a intervenção dos “visitadores voluntários” da LOP que procuram que o doente encare que, “no fundo, essa é a salvação da sua vida”. “Ter que fazer uma ostomia definitiva significa que vamos curar a doença. Temos por hábito pedir a quem já está estabilizado psicologicamente para que relate o seu percurso até ter uma vida normal pessoal, social e profissionalmente e explicar que praticamente não lhe altera o dia a dia”, conclui o responsável.
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