Os doentes sujeitos a ostomia, colocação de um "saco" para resolver doenças intestinais ou urológicas, devem escolher com o médico o local do corpo onde será feita a intervenção para evitar complicações futuras, defendeu hoje uma especialista.
|
Doentes ostomizados devem escolher local da intervençãoDiário de Noticias de 16 Junho 2009 |
|
Os doentes sujeitos a ostomia, colocação de um "saco" para resolver doenças intestinais ou urológicas, devem escolher com o médico o local do corpo onde será feita a intervenção para evitar complicações futuras, defendeu hoje uma especialista. Cerca de 12 a 15 mil portugueses foram submetidos a uma ostomia, uma abertura artificial realizada na parede do abdómen, chamada estoma, através da qual ocorre a derivação do conteúdo dos intestinos ou da bexiga para o exterior. Este tema está ser debatido, no Porto, no X Congresso Europeu de Estomaterapia, ciência de conhecimentos técnicos e princípios de relação de ajuda que permitem ao ostomizado reencontrar a sua autonomia o mais rapidamente possível, após a cirurgia, para poder retomar a sua vida pessoal, profissional e social. Em declarações à agência Lusa, a enfermeira e estomaterapeuta Joana Tavares, da Associação Europeia de Estomaterapia, explicou que a escolha do melhor local para a colocação da ostomia deve ser feita entre o doente e o médico no pré-operatório. Para Joana Tavares, esta escolha é fundamental para que o doente possa cuidar-se e não ficar condicionado o resto da vida. "Esse aconselhamento não demora mais de dois ou cinco minutos, mas nem sempre acontece", lamentou a estomaterapeuta, sublinhando que essa decisão pode "condicionar uma vida inteira do ostomizado e das pessoas que o envolvem". Para a estomaterapeuta, é urgente apoiar estes doentes e proporcionar-lhes maior qualidade de vida. "Se as pessoas forem bem aconselhadas e informadas desde o pré-operatório a qualidade de vida pode ser igual ou melhor do que era antes", sublinhou, acrescentando: "Os recursos existem, estão é muitas vezes subaproveitados". Roberto Machado foi sujeito a uma ostomia há seis anos e hoje faz uma vida "completamente normal", a doença "ficou para trás". "O facto de trazer um saco não chega a ser um problema", disse o doente à Lusa, confessando-se um "optimista". No entanto, reconhece que o facto de ser ostomizado poder ser "um problema para pessoas com fraco poder económico", porque todos os materiais têm de ser comprados nas farmácias e alguns têm 20 por cento de IVA. "O material devia ser dado pelos serviços de saúde e o doente é que devia escolher o material a usar", sublinhou, adiantando que a Segurança Social paga 90 por cento dos sacos, mas o doente tem de avançar com o dinheiro. Joana Tavares salientou que esta situação cria "muitas dificuldades aos doentes", acrescentando que estes materiais são "caríssimos e de venda livre". A título de exemplo disse que uma caixa de 30 sacos pode custar numa farmácia 75 euros e noutra ao lado pode custar 300 euros. A ostomia decorre geralmente de doença cancerígena (entre 80 a 90 por cento dos ostomizados). |