Câmara Municipal do Barreiro
Núcleo de Voluntariado - Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro
Instituição agraciada com a Medalha de
Mérito Municipal Prata a 28 de Junho de 2006

Testemunhos

Author: Joaquim Anjos Munhão - Voluntário

 
Não canso de lutar contra a descrença,
nem ouvirá de mim um só lamento
alguém que fustigado p´la doença,
é naufrago no mar do sofrimento.

No jeito de acturar está a diferença,
jamais demnstrarei constrangimento
mas quando acontecer convalescença,
será razão p´ra meu contentamento.

Um gesto ... uma meiguice, ou um sorriso ...
manter o bom humor, se for preciso ...
daí o tal gracejo improvisado.

Humanizar ... servir com humildade ...
se quero construir fraternidade,

não posso pois dizer que estou cansado!...
27 de Novembro de 2010
Domingo, 10 de Julho de 2011

Author: Miguel Menaia - CORAGEM - Estagiário

No passado dia 19 de Junho de 2011, dia em que comecei por visitar a Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro (LAHDB), foi-me pedida uma introspecção sobre o doente ostomizado e a sua vida quotidiana do ponto de vista etário, social, sexual, etc. Para perceber melhor quais os obstáculos que o utente ostomizado vive, o Presidente da Liga (Dr. Vítor Munhão), colocou-me um saco colector dando-me a entender que estaria “virtualmente” na condição de colostomizado.

Esta experiência, para mim, foi bastante enriquecedora do ponto de vista psicológico, fez-me perceber logo que um doente ostomizado vive a sua vida com muitas limitações, não fazendo certas coisas que são normais ou banais no dia-a-dia para outros indivíduos. O saco é desconfortável, mesmo estando vazio, e pode descolar, com alguma facilidade em qualquer momento, pelo que o portador do saco colector vive a sua vida na insegurança.

Na infância, falamos da criança que quer brincar efusivamente e não pode; é a criança que é “gozada” pelas outras e posta de parte. Na adolescência, também, a pessoa com esta patologia sente-se mal por não viver uma vida totalmente normal, tendo inúmeros problemas, quer físicos, quer psicológicos. Por fim, na idade adulta, temos a continuidade da insegurança, da inibição de certos actos. Ao longo da vida, a pessoa ostomizada é obrigada a permanecer com o saco que ocupa uma extensão do seu corpo provocando de certa forma, constrangimentos a níveis mentais do que físicos. Pode dizer-se, também, que do ponto de vista sexual, o doente ostomizado, sente vergonha em relação à sua companheira(o) e talvez até um certo mau estar com o seu corpo, levando à falta de auto estima.

Socialmente falando, o medo ou falta de confiança, por exemplo, ocupa a mente da pessoa com ostomia. É uma destas a palavra-chave que aqui se aplica, uma vez que o preconceito ou a “aversão” a seres humanos com esta doença é enorme na sociedade nos dias que correm.

Embora existam ajudas a nível monetário para doentes oncológicos, nomeadamente a comparticipação – como por exemplo o programa “Gabinete de Apoio ao Cidadão Oncológico”, criado pela LAHDB, que é, em poucas palavras, a existência de produtos gratuitos ou com valores acessíveis e de boa qualidade, para pessoas que realmente não conseguem combater os preços a que normalmente estão sujeitos pois são muito elevados.

Estes indivíduos não deixam de se sentir mal com a sua condição. Por mais apoios que possam existir, nada fará um doente com cancro sentir-se melhor do ponto de vista emocional e físico, pois cada dia custa e há que ter muita força de vontade para vencer esta doença. Por isso a palavra que escolho para definir todo o processo a que um doente oncológico tem de passar é a CORAGEM. Coragem para viver e vencer esta doença, coragem para acabar com o preconceito das pessoas. É preciso coragem, sobretudo, para não parar de lutar.

Em suma, mais do que uma doença física, o cancro – ou no caso em que me foi pedido para escrever, a ostomia de eliminação, é uma doença altamente inibidora do ponto de vista psicológico/emocional e físico.

É silencioso, e mata progressivamente. Vai matando, porém, há que ter esperança para lutar contra todas as adversidades. Só assim é possível vencer a doença oncológica.

É preciso ser-se muito humano para lidar com a situação, ou melhor dizendo, com uma patologia destas. Por isso, as pessoas precisam de estar a par de toda a informação e cuidados nos dias que correm. Ajudar o sujeito oncológico, actuando voluntariamente, é para mim, uma atitude humanizadora, uma atitude civica.

Miguel Menaia

 
Domingo, 10 de Julho de 2011
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