| Não canso de lutar contra a descrença, nem ouvirá de mim um só lamento alguém que fustigado p´la doença, é naufrago no mar do sofrimento. No jeito de acturar está a diferença, jamais demnstrarei constrangimento mas quando acontecer convalescença, será razão p´ra meu contentamento. Um gesto ... uma meiguice, ou um sorriso ... manter o bom humor, se for preciso ... daí o tal gracejo improvisado. Humanizar ... servir com humildade ... se quero construir fraternidade, não posso pois dizer que estou cansado!... 27 de Novembro de 2010
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No passado dia 19 de Junho de 2011, dia em que comecei por visitar a Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro (LAHDB), foi-me pedida uma introspecção sobre o doente ostomizado e a sua vida quotidiana do ponto de vista etário, social, sexual, etc. Para perceber melhor quais os obstáculos que o utente ostomizado vive, o Presidente da Liga (Dr. Vítor Munhão), colocou-me um saco colector dando-me a entender que estaria “virtualmente” na condição de colostomizado. Esta experiência, para mim, foi bastante enriquecedora do ponto de vista psicológico, fez-me perceber logo que um doente ostomizado vive a sua vida com muitas limitações, não fazendo certas coisas que são normais ou banais no dia-a-dia para outros indivíduos. O saco é desconfortável, mesmo estando vazio, e pode descolar, com alguma facilidade em qualquer momento, pelo que o portador do saco colector vive a sua vida na insegurança. Na infância, falamos da criança que quer brincar efusivamente e não pode; é a criança que é “gozada” pelas outras e posta de parte. Na adolescência, também, a pessoa com esta patologia sente-se mal por não viver uma vida totalmente normal, tendo inúmeros problemas, quer físicos, quer psicológicos. Por fim, na idade adulta, temos a continuidade da insegurança, da inibição de certos actos. Ao longo da vida, a pessoa ostomizada é obrigada a permanecer com o saco que ocupa uma extensão do seu corpo provocando de certa forma, constrangimentos a níveis mentais do que físicos. Pode dizer-se, também, que do ponto de vista sexual, o doente ostomizado, sente vergonha em relação à sua companheira(o) e talvez até um certo mau estar com o seu corpo, levando à falta de auto estima. Socialmente falando, o medo ou falta de confiança, por exemplo, ocupa a mente da pessoa com ostomia. É uma destas a palavra-chave que aqui se aplica, uma vez que o preconceito ou a “aversão” a seres humanos com esta doença é enorme na sociedade nos dias que correm. Embora existam ajudas a nível monetário para doentes oncológicos, nomeadamente a comparticipação – como por exemplo o programa “Gabinete de Apoio ao Cidadão Oncológico”, criado pela LAHDB, que é, em poucas palavras, a existência de produtos gratuitos ou com valores acessíveis e de boa qualidade, para pessoas que realmente não conseguem combater os preços a que normalmente estão sujeitos pois são muito elevados. Estes indivíduos não deixam de se sentir mal com a sua condição. Por mais apoios que possam existir, nada fará um doente com cancro sentir-se melhor do ponto de vista emocional e físico, pois cada dia custa e há que ter muita força de vontade para vencer esta doença. Por isso a palavra que escolho para definir todo o processo a que um doente oncológico tem de passar é a CORAGEM. Coragem para viver e vencer esta doença, coragem para acabar com o preconceito das pessoas. É preciso coragem, sobretudo, para não parar de lutar. Em suma, mais do que uma doença física, o cancro – ou no caso em que me foi pedido para escrever, a ostomia de eliminação, é uma doença altamente inibidora do ponto de vista psicológico/emocional e físico. É silencioso, e mata progressivamente. Vai matando, porém, há que ter esperança para lutar contra todas as adversidades. Só assim é possível vencer a doença oncológica. É preciso ser-se muito humano para lidar com a situação, ou melhor dizendo, com uma patologia destas. Por isso, as pessoas precisam de estar a par de toda a informação e cuidados nos dias que correm. Ajudar o sujeito oncológico, actuando voluntariamente, é para mim, uma atitude humanizadora, uma atitude civica. Miguel Menaia |