Câmara Municipal do Barreiro
Núcleo de Voluntariado - Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro
Instituição agraciada com a Medalha de
Mérito Municipal Prata a 28 de Junho de 2006

Testemunhos

Author: Joana Farias - INSEGURANÇA - Estagiária 12ºAno Área de Projecto

“Quando o ser humano se depara com uma situação destas, sente-se incapacitado para lidar com ele. Diante de um diagnóstico de cancro da mama, os sentimentos e emoções da mulher são diversos (revolta, raiva, culpa, até à aceitação). O cancro da mama desagrega o funcionamento biopsicossocial da mulher, condunzindo a uma necessidade de se readaptar. Geralmente o tipo de tratamentos podem ser agressivos, podendo provocar mutilações ou cicatrizes físicas e psicológicas irreversíveis. A mulher está exposta a alterações na sua imagem corporal, o que, eventualmente implica mudanças na sua vida quotidiana, familiar e social.

No momento de diagnóstico os sentimentos podem ser diversos, pois além de ser uma doença imprevisível como ameaça da perda da vida, tem um factor agravante: a mama simboliza a feminilidade e acumula as funções estéticas, eróticas e de amamentação. Podendo assim interferir em vários sectores de adaptação da mulher neste período de crise. O impacto não é só na mulher em sí, mas em toda a rede de relações de que faz parte, principalmente a família. Reforçam-se as preocupações pessoais, aliadas à auto-imagem, remetem-nos para medos ou fantasias mais recalcadas, capazes de comprometer a relação conjugal, da qual a sexualidade, intimidade, comunicação e a alteração de papéis tendem a ser o foco destrutivo do comportamento em relação ao humor e à aparência.

Observa-se que a auto-imagem interfere de modo fundamental com o desenvolvimento dos relacionamentos interpessoais, pois o sentimento de estranheza com relação ao próprio corpo ocasiona isolamento, vergonha, medo da rejeição e dificuldade de aceitação da nova imagem corporal.

As mulheres submetidas à mastectomia tiveram de lançar-se à espontaneidade, para enfrentar a cirurgia e a recuperação. O apoio dos familiares e amigos é fundamental quando a mulher precisa de respostas rápidas e adequadas ao contexto. O individuo é um ser social e por isso necessita dos demais para a sua sobrevivência e a inter-relação entre as pessoas constitui o eixo fundamental dessa teoria.”

 

Relato de Jasmin: “Quando me vi sem mama, senti-me péssima [...] (choro) fiquei a pensar que me tinham tirado um pedaço de mim. Sempre fui muito envergonhada para namorar e agora é que não procuro mesmo, não me sentiria bem”

 Opinião pessoal:

Concordo plenamente com o excerto indicado acima. A insegurança sentida pela mulher pode ser devastadora. Os sentimentos que são despertados através do diagnóstico recebido são perturbadores e a mulher pode ficar insegura, pois a remoção da mama retira-lhe o que sente referentemente à sua femenilidade, ao que sente em relação a ser Mulher. A sua auto-estima desce ou simplesmente desaparece. A preocupação estética e as relações do seu dia-a-dia são afectadas. Caso exista relação conjugal, também pode sofrer com a insegurança sentida pela mulher. A mulher tende em “esconder-se” do seu conjuge, com vergonha do seu corpo, surgem-lhe dúvidas, como por exemplo: por em questão se o seu conjuge ainda se sentirá atraído por a mesma; se terá perdido de todo a sua feminilidade ou simplesmente uma dúvida banal colocando em causa se as pessoas irão reparar que ela já não tem algo, neste caso a mama. Apesar da reposição, penso que existam muitas mulheres, senão a maioria que sentiam tamanha pressão. A insegurança é sentida diariamente, precisando do apoio dos amigos e familiares para ajudá-la e mostrar-lhe que não deixou de ser mulher simplesmente pela perda da mama. 

 
Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Author: Joana Santos - VERGONHA - Estagiária 12ºAno Área de Projecto

«Para além da ansiedade, a depressão tem também sido identificada como uma reacção frequente após esta cirurgia, devido à vivência de alteração de papéis e de relações que a mulher mastectomizada enfrenta quando perde uma parte do seu corpo» (Clark e Mcgee, 1997)

O cancro da mama afecta grande parte da população feminina mundial e nacional. O tratamento passa muitas vezes pela mastectomia, é aí que surgem novos obstáculos, sobretudo, psicológicos, a vergonha é um deles.

O peito é para a mulher, aquilo que a faz sentir-se como tal, com a mastectomia, a mulher poderá mesmo chegar a perder o peito por completo, assim surge a vergonha. A vergonha de sair a rua, de ir praia, de vestir certas roupas, de interagir com outras pessoas, principalmente com as que mais ama, a mulher tem vergonha do seu corpo, dela própria. A vergonha, em alguns casos, é tão grande que a leva ao suicídio. Quem não morre da doença, pode morrer da cura. Mas esta vergonha pode ser ultrapassada com o devido apoio e ajuda. Também as próteses assim como os soutiens que as sustêm desempenham um papel fundamental na resolução do problema, mas são demasiado caros. Assim, existem mulheres que continuam escravas da sua vergonha e têm medo de se olhar espelho, devido à burocracia. Sem dúvida, que os implantes mamários seriam a melhor opção para resolver o problema, mas estes são tão caros que a maior parte das mulheres nem “sonham” em recorrer a eles. Mais uma vez o dinheiro tira o direito à mulher de se sentir como tal.

É urgente resolver este problema. A mulher deve ter o direito a sair a rua de cabeça erguida, de sorrir ao olhar-se ao espelho, de poder usar aquele biquíni que tanto gosta no verão e de comprar o to que viu na montra de uma loja. É urgente que a vergonha deixe de destruir uma luta que a tanto custo e a esforço foi ganha.

 
Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
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